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27/01/2016

HIV e Aids em Maringá: qual o panorama atual?

HIV e Aids em Maringá: qual o panorama atual?

A Aids, doença que redefiniu a infectologia a partir da década de 80, passou por várias fases desde seu início. De uma doença letal em 100% dos casos tornou-se uma patologia com esperança de tratamento com a chegada da terapia antirretroviral, chamada então de coquetel pela enorme quantidade de comprimidos ingeridos por dia. Nesta época, pacientes com quadros avançados passaram a melhorar, revertendo o quadro de imunodepressão em alguns meses, conseguindo retomar suas atividades normais. Na ocasião o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de DST e Aids, que garantiu o acesso a medicação a todas as pessoas acometidas por HIV e Aids e que ainda é modelo para muitos países.
Com a evolução dos tratamentos, o número e o efeito colateral dos comprimidos foi diminuindo e a expectativa de vida melhorou. Hoje temos tratamentos com apenas 1 comprimido ao dia e poucos efeitos adversos, tornando possível conviver com esta patologia sem grandes problemas. Melhorias nos métodos para o diagnóstico do HIV e das infecções oportunistas causaram o aumento da expectativa de vida, resultando em um ampliação do número de pessoas vivendo com HIV e Aids.

Atualmente a região de Maringá tem cerca de 2000 pessoas em tratamento de Aids, sendo que 70% fazem acompanhamento pelo SUS e 30% através de clínicas privadas de infectologia. Este número aumentou cerca de 66% em 5 anos, em grande parte pela decisão dos infectologistas do Ministério da Saúde que decidiram indicar o tratamento a todos os pacientes diagnosticados. Antes de 2014 era necessário aguardar que o vírus causasse a queda de imunidade, mensurada através do exame de contagem de células CD4, para iniciar o uso da terapia. Desde então, basta ter o diagnósticoem mãos para iniciar o uso da medicação. Esta decisão foi tomada quando surgiram evidências da diminuição da transmissibilidade em pessoas infectadas que tomam o remédio adequadamente para as não infectadas, pois a quantidade de HIV presente nas secreções infectantes nesta situação é infinitamente menor.

Dos pacientes com diagnóstico de HIV e Aids em acompanhamento pelo SUS na cidade de Maringá, cerca de 60% optou por iniciar a terapia, sendo que muitos dos que não tomam o coquetel o fizeram por abandono do tratamento ou mesmo mudança do local do acompanhamento e contaminam esta estatística por permanecerem na base de dados. Mesmo assim, o número ainda é baixo e pode significar também a baixa escolaridade desta população – metade dos pacientes tem apenas o primeiro grau completo. Apenas para comparação, em consultórios privados a proporção de pessoas em tratamento é próxima de 100%, não recebendo terapia apenas as pessoas que efetivamente não o desejam.

Em relação ao sexo, 63,9% dos pacientes são do sexo masculino e 36,1% do sexo feminino, o que mostra um aumento de casos em homens nos últimos anos. A faixa etária mais afetada pela doença é a 35 a 49 anos, com 40,9% dos casos, seguida pela faixa de 20 a 34 anos, com 27,76% dos casos. Chama a atenção a faixa acima de 60 anos, que em 2009 era responsável por 0,37% dos casos e hoje por 7,18%, refletindo o aumento da sobrevida das pessoas contaminadas e também o aumento da atividade sexual neste grupo, muitas vezes estimulado por drogas como a Sildenafila (Viagra).

Tendo em vista estes dados, podemos concluir que o atendimento a esta doença tem sido de sucesso, em grande parte pelo esforço de todos os infectologistas, enfermeiros, psicólogos e farmacêuticos envolvidos em informar as pessoas e estimular o paciente a tomar a medicação, apesar dos efeitos colaterais e do estigma que a Aids carrega. Ainda que o programa do Ministério da Saúde tenha algumas falhas, o acesso universal a medicação é uma característica que deve ser preservada.

Informações disponibilizadas pelo SAE – Serviço de Atendimento Especializado da Secretaria de Saúde de Maringá e pela Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Maringá.




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